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segunda-feira, junho 21, 2004

Cadê os 60 %? 

Uma vista rápida pela forma como a imprensa internacional (e local) cobriu a cimeira Europeia da semana passada leva a crer que se tratou de uma reunião burocrática onde se adoptou uma Constituição (ou pela enésilma vez uma revisão dos tratados constitutivos).

Em nenhum sítio vi alguma referência ao facto que os lideres europeus tenham sequer pensado em discutir o tema da elevada taxa de abstenção dos seus cidadãos das recentes eleicções para o Parlamento Europeu. Será este um sinal do facto de que estarão os lideres europeus cada vez mais distantes dos seus cidadãos e apenas interessados em repartir entre si um ou outro cargo internacional... depois admirem-se de que os cidadãos continuem a dar mais importância ao Euro 2004 e mesmo ao festival da Eurovisão que ao debate das importantes questões europeias. Não é o povo que está alienado mas mais bem os políticos que se alienam mais e mais do povo.

sábado, junho 19, 2004

RIBAFRIA  

Nada como um bom queijo para terminar uma boa refeição. E hoje em dia até longe da terrinha podemos apreciar um bom queijo de leite de cabra vindo directamente da região Saloia. E agora até com honras de mercearia fina. Vá até ao chiquérrimo Dean & Deluca digite Ribafria no motor de busca e veja onde os americanos finos gastam os seus ricos dólares. Outros produtos lusitanos vão devagar devagarinho conquistando os paladares mais exigentes nos EUA. Os vinhos portugueses - e em especial os tintos meio encorpados do Douro - como o Duas Quintas e o Quinta do Cotto - arriscam-se pelo seu rácio qualidade/preço a tornarem-se noutros produtos de moda das mercearias finas doas yankees.

sexta-feira, junho 18, 2004

O melhor de Portugal 

Chegou por aí o zunzun de que um "periodista" português representante do canal SIC nas américas queixava-se a viva voz - durante uma recente recepção oferecida pela Embaixada de Portugal em Washington - de que a embaixada devia estar "tesa" pois ao que parece teve de servir-se a si próprio e ao esposo que o acompanhava. Dizem as línguas que o tal casal chegou pouco antes da hora final e os "serveurs" estavam já a recolher os copos e que tinham momentaneamente deixado o balcão sem serviço. Daí a ter que dizer em tons de labrego a todos os demais convivas que a Embaixada estaria "tesa"... dá para ver como deve ser o tipo a cobrir outros acontecimentos.

Quem sabe se calhar ainda vai arribar a outras costas... Com comentários deste género recomendo-lhe a imprensa desportiva espanhola.

O melhor de Espanha 

A Espanha tem coisas óptimas! Mas os jornalistas desportivos parecem-se cada vez mais com o comentador político e jornalista médio português.

Não é para implicar com os "nuestros hermanos" mas por vezes é quase anedóctico ver as reacções mais básicas dos jornalistas desportivos espanhois agora que se aproxima o embate ibérico de Domingo. Ora vejamos, durante todo o passado ano desportivo a pressão sobre o então treinador do Real Madrid roçava o nojento. Quando a equipa ganhava lá vinham os elogios no As e na Marca aos galácticos jogadores. Quando perdia lá vinha a falta de experiência e de jeito do treinador luso. Até quando referiam os golos do português Makukula (que fez uma boa época ao serviço do Valladolid interrompida por uma dolorosa ruptura de ligamentos) o jornal Marca louvava a bravura do "congolês"... e por aí adiante... até ao famoso - não menos esperado - despedimento do Carlos Queiroz aproveitado pela "directiva" do Real Madrid para livrar-se de todo e qualquer erro de gestão do plantel.

O melhor está para chegar. Com o aproximar do confronto entre Portugal e Espanha é ver os diários desportivos espanhois encherem as suas páginas com lamechas do estilo "já nos marcaram um golo" (comentando a nomeação do árbitro para o jogo - acusando-o de tendências caseiras, com o outro "periodista" a acusar o Figo de abandonar o campo durante o jogo com a Grécia e já agora com as "bocas" do ex-benfiquista Camacho afirmando que os portugueses não aguentam a pressão. Enfim o melhor de Espanha... O que vale é que a Espanha, tal qual Portugal, vale muito mais que as suas "directivas" desportivas ou os seus jornalistas. E o que por vezes esquecemos é que a Espanha não deixa de ser uma manta de retalhos e de províncias - por vezes tão diferentes - unida por um Rei leviano e pelo Corte Inglês.

E o povo de todas províncias espanholas não merece a qualidade abjecta de tais provocadores "periodistas" de meia tijela que cobrem a actividade como se tratasse da imprensa cor de rosa relatando os devaneios dos "famosillos".

A sofrer até ao fim 

Ainda não saiu fumo branco da cimeira de Bruxelas... talvez saia um "dark horse"... Já parece o futebol, sempre a sofrer até ao fim. Esperemos que o resultado seja bom para a Europa!


segunda-feira, junho 14, 2004

De "Castelo" a "Pagode" 

Os resultados - agregados - das eleicções para o Parlamento Europeu acabam de ser publicados. A assembleia europeia terá muito que fazer para voltar a merecer a credibilidade e exercer o seu papel no jogo europeu. A solução terá que passar pela rápida elaboração de um sofisticado sistema de alianças (simultaneamente nacionais e políticas) a começar já pela criação de uma sólida base de apoio para o único candidato possível e aceitável para a Presidência da Comissão Europeia (leia-se único candidato capaz de fazer parar a hemorragia da de apatia, desinteresse, alheamento e ausência do projecto Europeu de um número cada vez maior de Europeus.

A nomeação de um Presidente igual aos outros que aí têm estado nos últimos 9 anos contém em si o risco de passar - como a bandeira de Portugal para o Euro 2004 - de "Castelo" a "Pagode"...

domingo, junho 13, 2004

Euro 2004 a 60 % 

Sessenta por cento de abstenção em Portugal - nos outros parceiros da União não será muito diferente. A data não era a melhor (nunca o é), fim de semana longo, futebol, Santo António, praias... A campanha (esquecendo o trágico infortúnio do Dr. Sousa Franco) também não ajudou a debater a Europa (nunca ajuda)... Os eleitores estão fartos. Para eles (nós) a Europa e os nossos políticos que nela nos representam estão mais interessados em ir a Bruxelas comprar chocolates e ganhar ajudas de custo para financiamento dos partidos. A Estrasburgo o frete ainda é maior mas o Choucroute e o jamboneau sempre ajudam a motivar a viagem ao nordeste de França...

A questão é que os eleitores (nós) votaram com os pés... e mais uma vez perdeu-se uma oportunidade de debater a Europa e o posicionamento de Portugal nesse clube tão crucial - e por vezes tão injustamente ignorado - para o nosso desenvolvimento.

Não se define estratégia, aperfeiçoam tácticas, elaboram alianças e apoiam grupos e pessoas... e depois toca a queixar... Aí seguimos imbatíveis...

Mais uma vez perdemos uma oportunidade e desta vez nem a vitória moral ou o tão mal afamado brilharete nos safa...

Sessenta por cento... espero que alguém ouça tais votos... e espera-se que a Europa também ouça o clamor desta maioria silenciosa e coloque ao leme das instituições alguém mais interessante que um qualquer cinzentão burocrata que apenas contribua para alienar ainda mais os restantes 40 % que ainda teimam em votar...

Talvez um pequeno português fizesse uma grande diferença...

Mas não preferimos sempre um estrangeiro para fazer uma mau trabalho... para em seguida passarmos à fase do... queixume...

Já agora --- é preferível nem falar do jogo com a Grécia...

sábado, junho 12, 2004

Memos para torturar 

Alguns por aí na blogosfera (não acerto nunca com a palavra) comentam a história dos memos da administração americana sobre os limites legais de métodos de interrogação.

Não li os memos - apenas apanhei o que a imprensa internacional referiu - nem conheço os seus autores. Nem interessa. O que me interessa é saber se o chefe da administração (norte-americana ou outra) tem o direito de questionar os seus serviços, advogados e juristas acerca dos limites das convenções internacionais e definições legais. Não pretendo julgar sobre o conteúdo dos memos ou sobre o seguimento que lhes terá sido dado pelo "commander in chief" e suas agências na interrogação de terroristas e de "enemies combatants". A presente questão consiste em saber se é legítimo a um líder de governo exigir dos seus serviços uma interpretação sobre a validade legal de determinadas acções para assim melhor instruir as suas "tropas".

O que é mais de difícil de engolir é que o Ministro da Justiça Ashcroft tenha recusado partilhar tais memos com membros do Senado americano - e assim com o resto do mundo.

Como continuamos a saber o que dizem tais memos, ficamos sem saber que seguimento a tais indicações jurídicas terá dado o "commander in chief".

Na ausência do texto dos memos ficam as especulações, as teorias da conspiração e a imaginação sempre fértil dos jornalistas.

Poderá parecer estranho que se pretenda encontrar uma definição legal "afinada" do que é tortura e dos límites de técnicas de interrogação mas pelo menos ainda existem estado onde essas questões são debatidas e não apenas violadas tout court.

Pensemos por um momento na China... será que os líderes chineses pensam nestas questões?


domingo, junho 06, 2004

Supersize Me 

Filme - documentário de visão obrigatória. Para quem ainda não estivesse convencido dos malefícios do "fast-food" de origem Yankee ou dos benefícios de uma alimentação equilibrada com salpicos de inspiração mediterrânica como a cozinha da nossa terra.
Passar 30 dias a comer doses gigantescas de Macdonalds e arcar com as consequências visíveis e outras, eis a experiência do realizador e actor Morgan Spurlock. Antes ele que eu.

Finalmente um Supersize Me que merece a pena ser visto e que não é um daqueles irritantes pop ups de poluição informática prometendo paixão eterna e alongamento de membros.

Visionar antes de levar os filhos a sorver uma "Happy Meal"...

Rock in Cambodja 

Para quem cresceu na Lisboa dos anos Oitenta no eixo Olivais, Avenida de Roma e Areeiro (por vezes verdadeiro "axis of evil") o Rock in Rio tem um significado especial. A requalificação da área ocupada por este festival - enterrando para sempre as memórias nem sempre gloriosas do "eterno bairro provisório do Cambodja" que desde os anos setenta partilhava com o eleitista Colégio Valsassina boa parte dos montes de Chelas - é algo que convém não ser esquecido.

Foram mais de vinte anos de existência desse defecto bairro "provisório" de habitação de cartão - ninho de criminalidade, droga e ratos - sinal de que tempos houve em que Lisboa e Portugal passavam por uma verdadeira crise económica.

Aos que hoje se queixam do rigor imposto pela Dra Ferreira Leite (qual o problema em impor rigor fiscal e cortar o despesismo generalizado provocado pelo nacional porreirismo do Estado?) lembrem-se de quando Portugal teve de absorver mais de meio milhão de portugueses regressados à pressa das ex-colónias por entre instabilidade política, consolidação das instituições democráticas, nacionalizações nem sempre ajustadas ou justificadas, dívida externa, inflação de dois dígitos, etc, etc.

Aos que se queixam... queixam-se de quê? De que a Britney Spears não é a Madonna? Do preço dos bilhetes para o concerto? Bons novos tempos...

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